Impressora matricial: Epson lidera o mercado nas últimas três décadas

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A trajetória da empresa japonesa e da impressora matricial se cruzam e mudam a história da informática

A impressora matricial já está no mercado há mais de quarenta anos, e seu fôlego para se manter útil não parece diminuir. Atualmente, a maior fabricante do modelo é a tradicional Epson, que lançou sua primeira versão com esta tecnologia em 1979.

A impressora matricial ajudou a Epson a se tornar referência dentro do mercado deste periférico. Mas sua origem foi em outro segmento. Parte da Seiko Epson Corporation, a companhia começou suas atividades com a produção dos relógios Seiko, ainda no Japão, nas décadas de 1940 a 1960. Líder de vendas, ela ganhou a concorrência como fornecedor oficial dos relógios e cronômetros para as Olimpíadas de 1964, em Tóquio. Esse fato foi determinante para seu futuro. As competições pediam cronômetros com um sistema de impressão embutido para definir os vencedores. Era um vislumbre do futuro da empresa.

Percebendo a oportunidade que surgia, a Epson criou a primeira mini impressora do mundo: a EP-101 (EP de eletronic printer, impressora eletrônica), que passou a ser incorporada na maioria das calculadoras. Até então, o nome da empresa era apenas Seiko Group, mas isto também estava prestes a mudar. A geração seguinte de mini impressoras recebeu o nome de EP-SON (son em inglês é filho), a marca fez tanto sucesso que passou a denominar a empresa como um todo.

Em 1980, foi lançada a clássica impressora matricial Epson MX-80 que foi o estopim de vendas deste tipo de equipamento nos Estados Unidos e disparado o modelo preferido dos consumidores. Por combinar bom preço e qualidade de impressão, para os padrões da época, ela parecia uma escolha apropriada para lares e escritórios americanos. Seu sucesso foi tão grande, que a IBM propôs uma parceria de transferência de tecnologia, e passou a vender uma versão genérica da MX-80, a IBM 5125.

“O termo MX-80 era tão popular naquele período, e a impressora matricial tão barulhenta, que inspirou o nome de uma banda de noise rock, vertente do estilo surgida na década de 1970 e 1980, e que produziu algumas bandas famosas como White Zombie e Sonic Youth”, conta o técnico Rodrigo Pereira, fã de rock e da história da informática.

Com a estabilidade proporcionada pelas vendas da impressora matricial, a empresa enxergou na informática uma forma de ampliar ainda mais seus negócios. Em 1983, chegava ao mercado o primeiro computador portátil, o HX-20, com display LCD de 120×32 pixels, e deu início a uma revolução. Um dado curioso é que estes primeiros modelos de laptop também receberam a denominação de handheld computer, computador de mão, e notebook, em inglês caderno. Aqui no Brasil, o termo notebook se tornou muito popular ao ponto de ainda hoje os laptops por aqui serem chamados dessa forma.

A impressora matricial foi o padrão do mercado até o meio dos anos 1990, quando ocorreu o lançamento de outra revolução por parte da Epson: a impressora jato de tinta.

Mesmo não sendo mais o modelo mais vendido, a impressora matricial ainda tem seu espaço. Ela é utilizada por empresas para impressões mais simples e com baixo custo. Nos segmentos de notas ficais, ordens de serviço, duplicatas entre outros trâmites de logística ela ainda é líder. E a Epson é responsável por mais de 60% do setor. Hoje, nos modelos mais vendidos de impressora matricial, a Epson conta com entrada USB, compatível com os PCs atuais, e capacidade de impressão em folhas de tamanhos diferenciados, comportando até o A3. E a história continua, para a Epson, a impressora matricial e nós consumidores finais.